História

Neste projeto temos vários objetivos. Iremos destacar, ao longo do projeto, esses objetivos, e a medida que formos alcançando as respostas, as compartilharemos em nossa página. Lembre-se, sua contribuição é de extrema importância, assim teremos materiais riquíssimos. Um dos objetivos é a busca de material bibliográfico sobre o Arroio Peri. Veja o que encontramos:

Registros históricos

Até que, a 31 de janeiro de 1959, era criado o município de Campo Bom, através da Lei nº3.707: Ildo Meneghetti, Governador do Estado do Rio Grande do Sul. Faço saber, em cumprimento ao disposto do artigo 87, inciso II e 88, inciso I, da Constituição do Estado, que a Assembleia Legislativa decretou e eu sanciono e promulgo a LEI seguinte: Art.2º- O território do município tem as seguintes divisas: ao norte,começa no ponto em que a linha seca e reta, de direção norte, que parte da nascente do Arroio Pampa (ex-Feltes), galho leste do Arroio Pery (ex-Storck), em conta o travessão sul da linha de Dois Irmãos; segue por este travessão rumo leste até encontrar o travessão oeste da Linha Quatro Colônias, prosseguindo por este rumo norte ,até seu término, de onde continua rumo leste pelo travessão norte desta mesma linha, até o fim; dai segue rumo sul, pelo travessão leste ainda da mesma linha, até o travessão sul da Linha Ferrabraz, continua por este travessão, rumo leste, até encontrar o travessão que separa as linhas Campo Bom e Padre Eterno; A leste, começa no ponto de encontro do travessão sul da Linha Ferrabraz, com o travessão que separa as linhas Padre Eterno e Campo Bom, segue por este, rumo sul até o Rio dos Sinos, subindo por este até o Passo da Cruz; deste ponto, prossegue pela estrada deste passo, até encontrar a estrada Taquara -São Leopoldo; a Sul, começa no entroncamento das estradas do Passo da Cruz e São Leopoldo -Taquara, seguindo por esta, rumo geral oeste,até encontrar a estrada da Barrinha;daí continua, por linha seca e reta, de direção oeste até atingir o Rio dos Sinos, no ponto em que se encontra a divisa oeste da colônia Fernando Azevedo de Moura; A oeste, começa na incidência da linha seca e reta de direção oeste que parte do entroncamento da estrada Taquara -São Leopoldo como o da Barrinha do Rio dos Sinos, na altura da divisa oeste da Colônia Fernando Azevedo de Moura; daí segue, por linha seca e reta, rumo geral norte, até o quilômetro 15 da via férrea Rio dos Sinos – Taquara; continua por esta até o pontilhão sobre o Arroio Pampa (ex-Feltes) subindo por este até encontrar a Linha Dois Irmãos no seu ponto final.

Fonte: BLOS, Raul Gilberto. Campo Bom 1825-1976. Porto Alegre: Concórdia, 1977.

Lendas

A LENDA DO LOBO GUARÁ

As comunidades possuem suas estórias e lendas, que, na passagem dos anos e gerações, passam a integrar o folclore. Os relatos, em boa dose, surgem da imaginação popular, quando mesclam-se dúvidas, fantasia e realidade.

O ser humano necessita de uma resposta para os fatos desconhecidos, que, na ausência de explicação racional, mistura o absurdo com o real. Os moradores do Bairro Imigrante, em Campo Bom, conhecem a lenda do Lobo Guará, que liga-se ao passado rural.

O Imigrante foi colonizado a partir de 1826, quando o pioneiro Jacob Schirmer instalou-se na área. Esta abrigava ainda, próxima atual RS 239, remanescentes de bugres, que viviam, no entender dos colonos, errantes pela região. Os indígenas, certamente, sentiram-se desnorteados em meio à civilização, que, a partir de 1824, incentivou a tomada da terra. Os alemães, chegados pelo Rio dos Sinos ou através de carretas e caroças pela trilha geral, tinham um “modus vivendi” completamente diverso. Estes, como exemplo, aravam campos, cercavam áreas (em potreiros), dividiam terras, instalavam plantações…Os nativos viam-se perdidos naquele mundo, quando a alternativa consistia em domesticar-se ou refugiar-se serra acima.

Os animais silvestres seguiram o mesmo exemplo, quando diversas espécies não suportaram a ruptura do ecossistema original. Algumas poucas espécies conseguiram manter a sobrevivência, dentre as quais incluía-se o guará. Este mamífero alimenta-se de aves, frutas e pequenos mamíferos. Possui uma coloração pardo-avermelhada, que apresenta-se mais escura no dorso, focinho e pés, assim como ostenta mancha branca na garganta. Este caracteriza-se por ser extremamente arisco, assim como pelos hábitos noturnos. Os colonos temiam-no unicamente na medida na medida do ataque às criações, quando constituía-se alvo de caçadas, na medida dos “estragos efetuados nos galinheiros”.

Na área próxima ao Arroio Storck (atual Peri), o guará mantinha-se numa região de refúgio, quando poderia ter fácil acesso à água, assim como esconder-se na vegetação. A cana-de-açúcar, cultura abundante na localidade, facilitava os esconderijos nos esporádicos ataque sobre as propriedades rurais (do minifúndio diversificando de subsistência). O “Schirmerberg” ou “Schmierberg”, portanto, portanto era um lugar propício aos ataques, quando a carência de alimentação, numa eventual estiagem, tornava-se crucial.

A lenda do lobo Guará sucede-se da década de vinte, quando os colonos deparam-se com o sumiço de aves domésticas. A curiosidade natural e o prejuízo econômico levam à procura das razões do fato, pois “tudo tem suas explicações”. Um morador, por coincidência, depara-se com um estranho animal, que, em meio à penumbra, não conseguiu distinguir. Chamou-lhe a atenção o olhar brilhante, que parecia de uma terrível fera. O animal, certamente, seria o causador dos estragos, que tamanho boatos, cometários e prejuízos vinha causando. Este procurou narrar, a familiares e vizinhos, o visto na beirada do brejo do tradicional arroio, quando “as conversas deram asas à imaginação”. Aquele olhar assumia proporções de fera.

Os comentários e conversas divulgaram-se aos “quatro ventos”, quando, em meio ao espírito protetor das mães e imaginação popular, passou-se a temer pela segurança dos filhos. Estes , após o crepúsculo, acabaram trancados nas residências, pois temia-se o ataque da fera (identificada, nestas alturas, como lobo mau). Alguns atiradores (membros do Schützverein) e caçadores mobilizaram-se para abater o terrível animal, que parecia, à cada noite, espalhar o terror, na medida do sumiço de alguma ave. A cachorrada, pela vizinhança, foi juntada, a fim de detectar os rastros. As espingardas viram-se carregadas e polidas para não falharem na emergência. Os homens, pais de família, empreendiam caçadas inúteis, pois astúcia do animal parecia maior (refugiado “nos confins da floresta”).

As caçadas e temores estenderam-se durante dias e semanas, carecendo de algum elemento para abater ou desfazer o mistério. A rapinagem tinha diminuído, diante do cuidado com as criações. O lobo também parecia precaver-se diante das surpresas, quando temia “dar as caras”. Os moradores até mantiveram-se de sobreaviso, pois, a qualquer noite, poderia aparecer, conforme prévia combinação, o alarme da notícia do ressurgimento da fera. Esta, na primeira aparecida, seria encurralada e morta, pois sua caçada, “nestas alturas do campeonato”, parecia uma questão de honra dos caçadores. O abater da presa, certamente, traria os louros da vitória ao autor , que manteria inscrito seu nome nas histórias comunitárias.

O confronto, numa casualidade do destino, deu-se com um colono que, ficando para concluir uma lavração, atrasou-se no retorno às suas instalações rurais. Ele deparou-se com um inocente gato branco, que, próximo à atual Rua Guará, mantinha a área como espaço de caçada de preás e ratões. Estes, com o cair da noite, saíam dos esconderijos, saciando a fome. O mistério tinha-se desfeito e as mobilizações tinham sido em vão. A ótica, à semelhança de outras situações, tinha pregado uma peça, que ficou guardada na memória popular. A estória transformou-se na Lenda do Lobo Guará, que continua viva na descendência de alguns moradores. O lugar ficou conhecido, posteriormente, como Rua Guará, que constitui-se numa referência ao sucedido.

CAMPO BOM: HISTÓRIA & CRÔNICA 1826/1996, p.207

Autor: Guido Lang

Período de pesquisa: janeiro/1995 a julho/1996

Impressão: Papuesta Indústria Gráfica Ltda.

Também foi publicado em: FATO nº 996, 29/12/1995, p.2, autor Guido Lang

13 thoughts on “História

  1. A escola Santos Dumont está em clima de comomeração por termos consiguido ficar entre os finalistas principalmente nós, os alunos, estamos orgulhosos

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